domingo, 28 de fevereiro de 2010

Deixar para trás


Eu sempre soube que esse momento iria chegar, mas nunca imaginei que seria tão doloroso...

Eu não fui renovar minha inscrição. Já foram quase trinta dias de aula que perdi e acho que perderei todas as outras. Eu desisto aqui. - foi o que eu disse só para mim no final do ano passado quando todos se reuniram após as apresentações e festivais. E assim o fiz.
Me sinto péssima em deixar mais uma coisa pela metade, desistir, mas acho que me sentia pior quando entrava sala e me sentia um ser estranho no meio de tantos corpos magros e esbeltos. Sem falar na pressão que me era imposta cada vez que eu aumentava cem gramas que fosse. Me darei um tempo para pensar se vale a pena sujeitar-me a tudo isso e continuar com esses maus hábitos só para ser aceita num mundo tão momentâneo e superficial...

Parece que todo aquele clima de sapatilhas, pliés, saltos e perfeição fazia parte da minha vida. É estranho chegar em casa apenas com a mochila e os livros. Não há pés machucados, sapatilhas para limpar nem meias-calças sujas para lavar. Acho que os quase nove anos nessa rotina me fizeram esquecer o que é a vida de uma 'não-bailarina'.
Eu amo dançar e eu me sentia a melhor bailarina do mundo se fechasse os olhos e pensasse somente em mim, sem me comparar a mais ninguém. Eu me sentia em casa quando pisava no palco e via a expectativa no rosto de cada um que me olhava, me sentia incrível quando ganhava elogios da instrutora e era relocada para as primeiras fileiras quando melhorava meu desempenho. Mas era impossível evitar comentários sobre meu peso oscilante e comparações com as outras garotas. Sei que não falavam abertamente, mas com certeza achavam uma afronta ter entre IMCs de 16 a 19, um bizarro número 22 (que por vezes chegava a 24 em meses descontrolados)..
Agora é como se mais uma parte de mim tivesse sido arrancada e levada para longe.

Não sinto fome, não sinto prazer nas coisas que fazia, não acho graça na vida. Acho que estou tão diferente sem essas coisas que nem ao menos me reconheço. Sinto saudade, medo e angústia em doses que quase matam. Sinto falta da paz que eu sentia quando dançava. Não sei o que vai ser do meu futuro e por vezes prefiro não pensar muito nisso.

Meus dias tem sido manchados de lágrimas. Estou desanimada, melancólica, arredia, sensível e sem esperanças... Finjo que estou bem para fugir das perguntas e falsas preocupações, m
as palavras um pouco mais frias, lembranças, sentimentos ou fatos me fazem perder o controle e me desatar num choro compulsivo e infantil. A cada lágrima, eu penso nos cortes e remédios, mas por enquanto tenho resistido à isso. não sei por quanto tempo...
Ao menos é um alívio que eu não esteja me entupindo de comida/besteiras na esperança de que isso melhore.

Apesar de todo mundo e de todas as circunstâncias contrárias, eu estou 'controlada' digamos. Não que vomitar todas as refeições seja algum sinônimo de controle, mas é tudo o que posso no momento.
Estou escrevendo no inconsientemente mais vezes do que o normal porque as vezes sinto necessidade de dizer coisas por mais que elas pareçam estranhas e incompreensíveis. Não pensem que estou reclamando, apenas estou jogando palavras fora para que elas não me machuquem ainda mais ou matem-me.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cinco dias

Esses dias foram incrivelmente bons. Uma praia linda me desejava bom dia pela janela todas as manhãs e um sol convidativo tentava mudar minha cor pálida e sem vida.
Cinco dias longe de vômitos, balança e contagem de calorias, perto de duas amigas e um monte de amigos novos e simpáticos. Curtir festa na praia de manhã, trio elétrico nas ruas e shows a noite. Uma experiência completamente nova para mim que se dizia completamente avessa ao carnaval e festividades desse tipo.
Tomei coragem de ir à praia e comprei um biquini lá mesmo. Ao som do violão o pôr do sol foi ainda mais bonito. Eu fiquei apenas de olhos fechados me balançando levemente de um lado a outro, vezes deixando lágrimas involuntárias escaparem dos meus olhos, vezes permitindo que um sorriso brotasse dos meus lábios ressecados.

Era extasiante a paz que aquele lugar me transmitia. Me senti bem tomando sorvete, indo a praia, me divertindo no carnaval e fazendo amigos como uma garota normal. Eu nem ao menos parecia me importar em fazer três ou quatro refeições por dia. Era como se tudo ficasse mais brando.

Mas como é de praxe, algo tinha de acontecer para me desmoronar. Cinco dias maravilhosos foram por água abaixo quando eu entrei em casa. Não foi animador ouvir que eu voltei mais gorda -sim, foi essa uma palavras com que me deram boas vindas-. Ainda pior foi quando mostrei meu novo biquini e me perguntaram se aquilo cabia em meu corpo agora tão redondinho.
Tudo, tudo foi se despedaçando a cada passo que eu dei até o quarto. Ninguém viu quando eu me sentei e chorei desejando voltar para esses cinco dias e ficar lá para sempre.
Será que ninguém notou que há anos eu não compro um biquini? Que a muito mais tempo eu não me sintia tão bem a ir a praia? Que minha cor pálida tinha ganhado um tom de vida?

E aqui estou eu novamente vazia, chorando e escrevendo pra tentar aliviar a dor aqui dentro. Já subi na balança umas três vezes desde que cheguei e foi martirizante ver que nas três vezes o número estava maior. Mais precisamente dois quilos a mais do que no sábado, quando eu viajei.
Isso seria mínimo se tivessem notado que eu voltei disposta a ficar bem, que eu voltei mais sorridente e animada.
Mas como sempre, ninguém nunca percebe, ninguém nunca vê.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Power

Alguns dias, algumas vitórias e aqui estou.
Não queria vir aqui dizer que tudo está vazio. Isso eu falo sempre. Por isso fiquei um tempinho ausente.
Por incrível que pareça, as coisas estão normais por aqui. Digo, pelo menos para mim as coisas estão normais. Não está sendo muito normal meu pai me ver emagrecendo de novo... Maas..
Continuo vomitando tudo o que como e continuo subindo na balança freneticamente. É um vício tentar controlar cada número que aparece ali.
Minhas aulas começaram e as matérias são jogadas feito enxurrada sobre mim. É muita coisa, pouco tempo e instável sanidade para estudar.

Essa semana foram dez trufas recheadas em quatro dias. Vou confessar uma coisa: Nem foi tanto pelo meu vício em chocolate. É mais pelo prazer de ver a inveja transbordando pelas órbitas das garotas patéticas daquele lugar. Mesmo magras elas reclamam que estão gordas, se privam de tantas coisas mas mesmo assim não saem do peso que estão. Eu, que aparentemente como de tudo, vou emagrecendo a cada dia que passa! Isso me faz sentir tão bem [muahahahaha eu sou mau].

O.o Eu estou mais magra. Todos notaram a diferença no primeiro dia de aula. Ficaram surpresos quando eu comi tanto chocolate e nem reclamei depois... O que ninguém vui foi que depois que o intervalo terminou e todos foram para a sala, eu fui para o banheiro feminino e fiquei uns minutinhos lá me desfazendo das trufas de brigadeiros, doce de leite, morango e todas as outras... ok, mas isso ninguém precisa reparar mesmo

Eu estou tendo mais confiança nos meus amigos do que 'amigas'. A que eu mais conversava abertamente saiu da escola e as que continuaram são mesquinhas demais.. Eu até sou simpática com elas, mas pra conversar eu prefiro meus amigos.
Mas dois amigos em especial, estão garantindo minhas risadas no colégio. E eu estou mais animada, menos fechada na minha concha... Parece que quando você emagrece, o mundo te vê com outros olhos e você se sente mais confiante... Isso é incrível!

Bom, é só isso. Acho que eu tenho que estudar agora...
Beijo gurias.