segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Day 13

Someone you wish could forgive you

M,
Nós dois sabemos que você não me perdoou e que nunca vai conseguir me perdoar, então essa carta é para você porque você foi a única pessoa que eu magoei e não consegui o perdão.

Eu sei que devia ter te contado a verdade, que o R. que estudava na mesma escola que a gente e era meu amigo, foi meu amigo colorido durante todo o ano anterior e que quase dormimos juntos num dia que fomos para uma festa e eu dormi na casa dele. Mas como eu disse, QUASE, não aconteceu. A verdade é que eu fiquei irritada por estar bêbada demais e ter dormido depois alguns carinhos e também por ele me considerar tão amiga e ter achado graça da minha súbita declaração de amor. Acordei quando ele me colocou na cama do quarto de hóspedes e fiquei chamando por ele, mas ele apenas riu e foi pro quarto dele apesar de me confessar depois que estava bêbado a ponto de se senti tentado a fazer o sexo casual que eu tanto queria, mas não comigo e não eu sendo virgem porque eu certamente iria me arrepender quando acordasse pela manhã.
Enfim, não aconteceu nada e por isso achei insignificante estragar nosso relacionamento de apenas 6 meses contando que meu melhor amigo era o personagem principal de uma história que eu contei pra uma amiga durante a aula e você ouviu. Até porque já tinha quase 3 meses desde esse incidente e eu nem sabia que você tinha escutado e principalmente memorizado cada palavra que eu disse e a empolgação com que eu disse. A verdade é que eu ainda tinha sentimentos por ele e que quase apagados, imploraram ao menos que a amizade continuasse intacta. Nossa amizade era linda e perfeita. Confiávamos tanto um no outro que eu acabei confundindo as coisas. E eu sabia que no momento que você soubesse que era ele a minha ex paixonite, não entenderia e eu teria que cortar qualquer tipo de contato com o R.

Até que num belo dia você me contou o que ouviu de mim e me perguntou se essa pessoa era o R. Fiquei sem ação e resolvi não mentir, já que você estava me perguntando praticamente de forma afirmativa. Falei que era, mas que nessa noite não tinha acontecido nada e apagando esse dia, decidimos ser amigos como sempre fomos e nunca mais comentar sobre o (quase) acontecido.
Mas pra você, mentira e omissão são a mesma coisa e você acreditou que eu ainda queria ficar com o R, mesmo namorando você oficialmente e sob os olhos do meu pai. Você não entende que eu só não te contei porque não queria estragar a NOSSA história com um "quase" e que não queria perder a amizade sincera que eu tinha com o R.

E no final, não falo com o R há mais de dois anos, tempo em que começamos a namorar, e sempre temos essa "rachadura" entre nós. Quando tudo parece bem, tropeçamos e caímos nela. Ja brigamos e você quis terminar por não conseguir mais confiar em mim. Voltamos e novamente veio esse motivo. Hoje você não fala mais nisso, mas a cada pergunta desconfiada que você vez ou outra me faz, ou qualquer briga sem motivo que temos eu temo que você pense que eu estou com o R ou com alguém. Isso machuca, sabe?

Pior é que ja tentamos terminar mas nunca ficamos mais que dois dias 'separados'. Você tem seus defeitos, suas criancices, seus momentos 'sabe tudo', você me magoa e não pede desculpas, me faz chorar, me faz comer (e come muito também, o que me incentiva a te acompanhar e só as vezes vomitar depois), você é gordo (e as vezes eu sinto raiva por você não ligar pra isso em você nem em mim) mas incrivelmente eu sinto a sua falta. Deve ser uma doença ou, sei lá, uma obsessão. O fato é que com você é ruim mas sem você é pior. Não sei até quando continuaremos a tropeçar nessa rachadura, mas eu tenho certeza que se você tivesse passado uma uma borracha nisso, seríamos um lindo casal agora. Um lindo casal gordo e que vai engordar em progressões geométricas depois de casar e eu uma mulher eternamente gorda e com três filhos, mas ainda assim um lindo casal feliz. 

Não sei se é isso que eu quero pra mim, não sei se consigo aguentar isso por muito mais tempo. Só sei que eu adoraria voltar pra aquele dia do 'quase' e ter feito tudo com o R. mesmo me arrependendo depois. Depois eu queria poder avançar pro dia em que começamos a namorar e ter te dito NÃO. Desculpa, mas esse relacionamento consumiu o pouco que restava da garota que a bulimia preservou e se eu pudesse voltar no tempo te apagaria da minha vida.

C.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Day 15

The person you miss the most

Você é a pessoa (sim, pessoa. você era muito mais pessoa do que algumas nesse mundo) de quem eu mais sinto falta nesse momento.

Tigrão,

Vai demorar pra eu superar a sua falta, esquecer o seu sorriso (sim, sorriso), seu cheirinho e seu jeito. Você era meu primeiro cachorro, meu pai me deu você de aniversário depois que eu fiquei três dias sem comer fazendo chantagem porque queria aquele cachorrinho que eu tinha visto na pet shop. Nunca tinha visto algo mais fofo, mais lindo e mais carinhoso. Precisava daquilo. Eu tinha doze anos e você apenas dois meses. Começava aí uma verdadeira amizade.
Você era muito mais do que um simples cachorro. Era meu amigo, mas amigo de verdade. Você me deixava ficar abraçada até quando eu quisesse e eu entendia seus latidos e grunhidos. Nós meio que 'conversávamos' enquanto nos olhávamos. Éramos feitos um para o outro.

Não consigo imaginar minha vida agora sem você. Aquela coisa 'Futebol sem bola, piu-piu sem frajola', sabe? Não dá!  Me apeguei muito a você nesses oito anos e não consigo mais imaginar minha vida sem você. Você era o segundo dos três pilares que me sustentavam. O primeiro, a mamãe e o terceiro, papai, que não pode partir NUNCA.
Me senti como uma criança indefesa na clínica veterinária quando a médica veio balançando a cabeça dizendo que não conseguiram te reanimar. Você estava comigo há 5 minutos atrás, antes dela te dar omeprazol no soro e você fazer tanta força pra vomitar e acabar tendo a parada cardiorrespiratória. Como assim você se foi? Foi reação ao omeprazol? Foi culpa da veterinária? Você estava doente e não tinha sintomas visíveis?

Faltou chão, o mundo girou e não voltou ao seu eixo normal. Eu quis te ver e não acreditei que aqueles olhinhos nunca mais de abririam. Te chamei, fiz carinho no seu pescoço, mas não adiantava. Eu não queria sair dali, de perto de você, até você acordar. Ou melhor, eu queria sair dali e voltar pro dia anterior, quando você estava bem e lindo correndo pelo quintal inteiro.

Me sinto culpada de não te levar pra fazer exames de rotina, nem hemogramas, nem nada. Você sempre foi tão saudável que eu nunca vi motivos pra te levar ao veterinário pra uma consulta. Você comia besteiras e eu dava leite pra passar e pronto. Agora soube que você poderia ter problemas no coração ou diversas doenças que causam falta de apetite e a moleza que você estava. Me sinto péssima por não perceber que você precisava ir ao médico, mesmo sem aparentar.

Ainda penso que a qualquer hora você vai latir desesperado me avisando que tem um gato pulando no telhado... Não me conformo. Não posso me conformar. Eu PRECISO de você! Eu não consigo parar de pensar nos seus últimos minutos e na sua carinha de feliz tentando ficar sentado enquanto te levávamos pra clínica no carro...

Mais uma perda que eu nunca vou conseguir superar. Você não deveria ter partido, meu anjo.

C.