terça-feira, 2 de outubro de 2012

O tempo

 O tempo que cura toda dor, o que ameniza corações partidos e transforma momentos ruins em meras lembranças. O tempo que dizem ser o remédio pra tudo, que tudo resolve e tudo acalma. Que põe as coisas no lugar e que faz a vida continuar...
Não é essa a definição que eu tenho do tempo.
Os anos se passam e onde está a cura? Onde está o alívio? A transformação? Que remédio é esse que torna a dor ainda pior? Eu me cansei de esperar. Não suporto mais esperar por um alívio que nunca chega.
Na verdade, não sei de nada tão cruel quanto o tempo. Ele só me distancia das pessoas que eu amo. Passa acelerado com uma foice nas mãos devastando minha família, minha vida, meu coração. Me deixando em pedaços ao mesmo passo em que tira de mim as pessoas que poderiam me oferecer abrigo. 

"O tempo só está me envelhecendo, desgastando e tirando minha fé." Disse minha querida Tally. Tenho que concordar com suas palavras ciente de que é exatamente o que penso. Eu perdi tudo. O tempo me tirou tudo. Me tirou as forças, a vontade de lutar, a esperança e a coragem. Na verdade, só tenho uma coisa. Apenas um pilar, um porto seguro, UM abrigo. Me pergunto: quanto levará para o tempo tirar meu último precioso bem?

Meu pai. Não posso suportar a ideia de vê-lo partir. Tenho pensado muito nisso ultimamente e não posso suportar que um dia, mesmo que daqui a um tempo indeterminado, eu terei que viver sem ele. No dia em que o Tigrão morreu, eu  prometi que morreria junto com ele porque eu não tinha mais nada e viver sentindo a dor da sua falta seria pior que o mais horrível dos castigo do inferno, prometido aos que tiram sua própria vida. Ele disse que eu falo bobagem e que a vida é assim mesmo. Não para mim. Minha vida são as pessoas que eu amo. Na falta de amor próprio, o que ainda me mantém viva é meu amor por ele. O pouquinho de amor que eu tenho no coração é agora somente por ele. 

Eu sou um pedacinho que ficou na terra quando sua alma gêmea partiu. Ele perdeu o amor de sua vida mesmo depois de tanto esforço para salvá-la. Ele também ficou sozinho no mundo, também se sentiu perdido e tinha todos os motivos do mundo para desistir; mas escolheu mudar sua vida em função da minha, escolheu viver por mim e fez de tudo para que eu crescesse feliz. Ele nunca foi nem nunca seria injusto comigo. Nunca me viraria as costas, nunca me trataria com palavras que machucam e muito menos me negaria o perdão. Porque eu sei dos momentos ruins que passamos juntos, sei de tudo o que ele abriu mão para dedicar-se inteiramente a mim  e tenho total consciência de que nenhum homem me amará como ele.  É minha hora de retribuir. Eu mudarei minha vida em função da vida dele e me arrastarei por todo este caminho de espinhos até o último dia da vida desse homem. O homem mais maravilhoso e incrível do mundo inteiro. 

Ele fez mais do que sua parte como pai e por isso, não darei a ele a dor e o desprazer de me ver pôr fim a minha própria vida.  Não é sua culpa. Por isso não morrerei como uma filha louca e traumatizada pela perda da mãe há dezesseis anos atrás. É exatamente o que sou, mas ele não precisa saber. Me desfaço em lágrimas a noite inteira, mas de manhã sempre estarei com o sorriso mais verdadeiro que eu puder encenar. Ele não merece saber das minhas lágrimas. E mesmo eu não tendo coragem de contar o tamanho do meu amor, eu o amo. O amo mais do que tudo porque é o último fragmento que restou de uma vida que poderia ser maravilhosa...


...e que o tempo me tirou.


2 comentários:

  1. Oi!
    Concordo plenamente com a sua posição quanto ao tempo, aonde está sua fama de restaurador? Quando eu mais preciso, afinal. Eu não costumo esquecer mágoas, sentimentos assim de maneira fácil. O tempo faz com que nos acostumemos na verdade, isso que ele faz.
    bjOus

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  2. Me ensinaram que o tempo é um remédio para a dor que vai diluindo-a lentamente até que ela cessa. Mas ele para mim jamais representou isso. A dor sempre está lá para ser revivida intensamente seu eu for induzida a ou se eu decidir acessá-la. O tempo também traz novas dores. Eu só posso me matar de trabalhar no hoje para que ele traga também conquistas. Não espero nada dele, só do meu esforço. Não espero que ele apazigue o meu sofrimento. Já esperei demais e tempo nenhum foi o bastante.
    Agora veja bem, se o tempo leva as pessoas, talvez seja melhor do que tudo aproveitar o tempo presente antes que elas partam. Gastar o hoje, no qual temos a elas, antecipando o sofrimento da partida delas, só piora tudo. Pelo amor, não faça isso!!
    Sinto q vc se sente caminhando sobre o fio da navalha, correndo um risco tremendo de não restar nada mais em que se amparar. Ter um único ponto de apoio é perigoso. Acho que você deveria procurar ampliar as coisas em que se sustenta. Mesmo q vc tenha um pilar principal, talvez possa ter mais coisas em que se agarrar que, ainda que menos importantes e menores, podem ser úteis. Quer dizer, vc pode ter uma BASE, e ter também estruturas secundárias.
    Sonhos a realizar q façam sentido para vc. Outras pessoas. Uma carreira. Um próximo bichinho de estimação quando você estiver se sentindo mais recuperada da perda do anterior - cada um é absolutamente único e insubstituível, mas nenhum deles trai - seus apegos são sinceros e suas demonstrações de afeto também. Se permita amar novamente, se permita viver o amor enquanto pode desfrutar dele, ao invés de antecipar um sofrimento que pode nunca chegar. Isso na verdade é fabricar um sofrimento para o agora. Invista esse esforço em criar coisas q te façam mais bem.
    A gente precisa reunir forças de algum lugar para construir um hoje melhor, um amanhã melhor ou pelo menos suportável.
    Desculpe a demora para comentar este post. Os comentários anteriores estavam tão enormes q eu deixei esse pra depois, já q o blogspot estava embaçando o meu limite de caracteres. Beijos querida, forças

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obrigado pela visita (;