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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quando o fio se rompe


Então é assim.
O vazio toma proporções assustadoramente maiores, as lágrimas se tornam involuntárias e você se sente perdida, sem saber o que fazer. "A culpa é de nós dois e nós dois poderíamos mudar isso, mas eu cansei de tentar.", ele disse. Mesmo sabendo que a qualquer hora isso podia acontecer, o chão sumiu debaixo dos meus pés e eu quis que minha vida acabasse naquele momento.

Foi tempo demais, tanto tempo que eu nem sei mais como eu sou. Não sei mais como pensar na minha vida sozinha. Parece que eu fiquei esse tempo inteiro sendo amparada que desaprendi como caminhar pelas minhas próprias pernas. Eu me afastei de todos os meus amigos, fiz promessas que eu não sabia se poderia cumprir, fiz tantos planos e agora eu estou aqui, exatamente onde eu estava há dois anos e cinco meses atrás: com meu coração despedaçado, sem saber pra onde ir ou o que fazer.

A diferença é que antes não haviam lembranças, só um amor impossível por um melhor amigo. A dor era por algo que eu nunca provaria e por isso era mais suportável. Agora a dor é carregada de saudade, de arrependimento, de culpa. Durante esse tempo ele cuidou de mim e manteve meu coração batendo. Me fez feliz, me fez sentir o que era o amor de verdade, me mostrou um mundo de coisas que eu não imaginava conhecer... Ele curou todas as feridas do meu coração, mas ao sair se certificou de deixá-lo do mesmo jeito que encontrou.

Talvez a culpa seja minha. Eu só queria ficar bem, só queria tentar preencher esse vazio, acabar com esse 'não sei o quê' que rouba meus sorrisos e me destroi somente por dentro. Eu estava tão desesperada que não pensei em retribuir. Eu só pensei em beber tudo o que eu podia da minha fonte da felicidade sem pensar que ela secaria se eu não cuidasse...

Cuidar. Essa é a palavra. Eu quis alguém para cuidar de mim, mas eu não sei cuidar de ninguém.

domingo, 11 de novembro de 2012

Por um fio


Apesar de tudo parecer como antes, não te sinto perto. Não sei se era minha paixão cega que não me permitia ver que você nunca esteve ou se fui eu quem coloquei esse abismo entre nós. Uns dizem que é assim quando a paixão acaba, os médicos dizem que pessoas com transtornos psicológicos não conseguem manter seus relacionamentos. Então eu não sei se a culpa de estarmos assim é nossa ou somente minha. 

Eu consigo ver sempre dois lados nas suas atitudes. Você como o namorado carinhoso que é maltratado pela namorada bipolar e mesmo assim tenta se aproximar, e o você egoísta que só me procura quando está precisando de atenção. Porém, o fato é que depois de tantas lágrimas e palavras ditas sem pensar, as faíscas não existem mais, nem os suspiros, nem o dia maravilhoso depois de um beijo seu... Eu evito contato porque sei que você não tem a paz de que eu preciso pra sobreviver, você não tem aquele dom de fazer o mundo parar quando me poe em seu abraço, você não consegue escutar tudo o que eu preciso dizer.

Aqui estou eu novamente comparando meu passado e meu presente. Todos os meus pensamentos me levam ao mesmo lugar. Eu carregarei para sempre a culpa por tantas vezes fechar os olhos e desejar que você fosse ele. Mas me culpo ainda mais de tê-lo afastado de mim por causa dos seus ciúmes...

Metade de mim suplica que você fique, que entenda que não estou nos meus melhores momentos, que cuide do meu coração até que meu verdadeiro amor apareça. A outra metade clama por ele, pelo abraço dele, pelo cheiro dele, pelo sorriso dele e por cada minuto desses dois anos em que não estivemos juntos..

Não sei se te amo. Não sei se te uso para não parecer só aos olhos do mundo. Não sei se devo desistir. Não sei se continuo nessa louca montanha russa. Não sei o que fazer com esse relacionamento que expõe minhas cicatrizes.



"Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off you
[...]
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'til I find somebody new"


domingo, 9 de agosto de 2009

- uma praia, uma cabeça, um coração

pela câmera de ~menina às 11:23

O dia era claro - para criar um contraste com tudo o que havia em mim.
O lugar não poderia ser mais lindo - criando um contraste com o que eu era.
O vento bagunçava meus cabelos - assim como os meus pensamentos estavam desosrdenados.
Tudo corria a noventa quilômetros - assim como minhas lembranças.

Ali não existia Anorexia, não existia Bulimia. Era só eu em busca de algo que a muito perdido, nem sei mais como é... Eu buscava a mim mesma. Buscava sentido nas coisas que eu errei, buscava o sentimento bom que eu senti quando fui ali pela primeira vez...
Buscava naquele paraíso, um fio solto daquele passado feliz. Fio ao qual eu puxaria com todas as minhas forças para não me perder novamente.
Eu só queria tentar entender o misto de sentimentos que invadia meu coração.
As lágrimas corriam soltas pelos olhos e eu não me importava. Chega de esconder meus sentimentos e mostrar meu tão conhecido sorriso falso. Eu não podia fingir nada, não ali. Tudo era tão natural, tão belo, tão magnífico que o mais convincente dos meus sorrisos forçados seria uma afronta.
Eram mais que meros pensamentos... Algo desacordado renasceu em meu coração e eu me senti viva. Me senti capaz de fazer tudo o que eu quisesse. Pareceu que algo ou alguém estava ali -não para me destruir ainda mais- para me dar forças, para me fazer ir mais além e suportar tudo o que viesse.

Olhando a imensidão do mar parecia que não havia mais ninguém ali. Não havia tia, tio e nem primas magrelas... Era só eu e o vento. Deixei que tudo passase pela minha cabeça na velocidade da paisagem ao meu redor... Era menos doloroso sentir...

Não havia o que lembrar, somento o que procurar...