Palavras, pensamentos, emoções e sentimentos expostos. Coisas que doem demais e que eu tento desesperadamente não sentir apesar de saber que foi exatamente este o caminho que escolhi.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Quando o fio se rompe
Então é assim.
O vazio toma proporções assustadoramente maiores, as lágrimas se tornam involuntárias e você se sente perdida, sem saber o que fazer. "A culpa é de nós dois e nós dois poderíamos mudar isso, mas eu cansei de tentar.", ele disse. Mesmo sabendo que a qualquer hora isso podia acontecer, o chão sumiu debaixo dos meus pés e eu quis que minha vida acabasse naquele momento.
Foi tempo demais, tanto tempo que eu nem sei mais como eu sou. Não sei mais como pensar na minha vida sozinha. Parece que eu fiquei esse tempo inteiro sendo amparada que desaprendi como caminhar pelas minhas próprias pernas. Eu me afastei de todos os meus amigos, fiz promessas que eu não sabia se poderia cumprir, fiz tantos planos e agora eu estou aqui, exatamente onde eu estava há dois anos e cinco meses atrás: com meu coração despedaçado, sem saber pra onde ir ou o que fazer.
A diferença é que antes não haviam lembranças, só um amor impossível por um melhor amigo. A dor era por algo que eu nunca provaria e por isso era mais suportável. Agora a dor é carregada de saudade, de arrependimento, de culpa. Durante esse tempo ele cuidou de mim e manteve meu coração batendo. Me fez feliz, me fez sentir o que era o amor de verdade, me mostrou um mundo de coisas que eu não imaginava conhecer... Ele curou todas as feridas do meu coração, mas ao sair se certificou de deixá-lo do mesmo jeito que encontrou.
Talvez a culpa seja minha. Eu só queria ficar bem, só queria tentar preencher esse vazio, acabar com esse 'não sei o quê' que rouba meus sorrisos e me destroi somente por dentro. Eu estava tão desesperada que não pensei em retribuir. Eu só pensei em beber tudo o que eu podia da minha fonte da felicidade sem pensar que ela secaria se eu não cuidasse...
Cuidar. Essa é a palavra. Eu quis alguém para cuidar de mim, mas eu não sei cuidar de ninguém.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Dores

Nesse momento há muitos tipos de dor dentro de mim. Dores reais, imaginárias, físicas e sentimentais. Eu não queria senti-las, mas parece que quanto mais eu ignoro-as, mais elas se fazem presente. Eu não queria nada disso. Isso não é o que eu sonhava ser.
A dor de cabeça talvez seja conseqüência do esforço para vomitar os biscoitos que comi tão rápido que nem senti o gosto. A dor nas costas talvez seja conseqüência dos exercícios exagerados que fiz numa tentativa inútil de fazer essa barriga asquerosa sumir. A dor no pescoço talvez seja conseqüência de eu ficar muito encolhida, sempre com frio e sentindo a barriga roncar. A dor no pulso talvez seja conseqüência das noites sem sono em que fico a digitar palavras soltas na tela do computador. A dor na consciência deve ser culpa. A dor no peito deve ser saudade do passado. Mas a dor que mais incomoda e que mais me sufoca é a incompetência.
Incompetência por ter sido fraca mais uma vez, por ter prometido fazer o dia ser bom e ter transformado-o em mais um dia de descontrole. Lágrimas abafadas pelo travesseiro molhado não são o suficiente para me dar a lição de que não é bom me sentir assim. Eu choro agora, me desfaço em dor e remorso, mas amanhã isso vai parecer pouco e eu vou repetir meu erro. Isto se torna um circulo sem fim no qual eu já estou tonta mas não deixo de fazer.
Corro em vão a procurar por alguém que nunca chega. Alguém que pudesse me estender a mão, que pudesse me abraçar e dizer que estará sempre comigo. Esse alguém não existe. Não existe porque eu nunca achei que precisasse de alguém. Eu nunca acreditei que alguém pudesse compreender o turbilhão de sentimentos que vive em mim e nunca confiei a ninguém o motivo das minhas lágrimas. Os que eram meus amigos não estão perto o suficiente para ouvir meus soluços baixinhos na madrugada. Eu silenciosamente os afastei.
Eu estou doente, louca, obcecada, ou o que você quiser chamar. Eu me sinto doente sim, mas minha doença é não ter controle. Eu faço por impulso, me arrependo por culpa e faço novamente por esquecimento. Parece que nenhuma lágrima é dolorosa o suficiente para me fazer parar e refletir antes de seguir com meu hábito autodestrutivo.
Entro mais uma vez no meu quarto com a garganta doendo, o dedo dormente e a cabeça explodindo. O alívio é quase palpável mas o sentimento de culpa é ainda maior. Meus joelhos cedem sem resistência e tocam o chão. A dor física não é comparável a dor que eu sinto por dentro. Lágrimas saltam dos meus olhos antes que eu possa segurá-las.
Me vejo como um ponto perdido na imensidão de um mar aberto. Eu não consigo nadar até a praia novamente e não há ninguém que possa ouvir meus gritos.
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