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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O passado esteve aqui. E me beijou.

O passado está de volta. Ele bisbilhotava entre as frestas, aguardando pacientemente o momento certo para o golpe de misericórdia que deu fim a tudo sólido que eu pensei ter construído.

Depois de tantas lágrimas derramadas e mais de ano sem sequer pensar nele, um beijo desperta tudo e me atira no meio da lama de sentimentos da qual tanto lutei para sair.

A doçura daqueles lábios me diziam que era o início de um precipício, mas eu, tão alta, mal pensei que fosse cair.

Um beijo. O beijo.

Sempre me vangloriei por ser daquelas que depois de magoada, nunca perdoa, nunca volta atrás. Põe uma pedra e esquece para sempre. Levanta a poeira e segue a vida. Mas aí aconteceu.

Nunca tinha dito abertamente os meus sentimentos como um dia disse a ele. Tomei coragem com vodka no jantar e disse tudo o que estava preso na garganta depois de tantos beijos, corações disparados e encontros flamejantes. Entre palavras enroladas e cobertas de vergonha, eu imaginava um final feliz em que o mocinho beijava a mocinha sobre a copa de uma grande árvore e juravam amor eterno. Eu estava no lugar perfeito. Mas em vez do desfecho perfeito, tive que o ouvir a mais ridícula das desculpas de quem não quer nada com a vida: "...não estou pronto para fazer alguém feliz".

Me senti quebrada em tantos pedaços quanto eram possíveis. Desmoronei na espreguiçadeira à beira da piscina, com algumas pequenas flores caindo da árvore e se enroscando no meu cabelo. Um funeral. Sob o sereno e o frio da madrugada desejei com todo o meu coração - ou o que restava dele - que o amanhã nunca chegasse.

Mas chegou. E doeu.

Nas semanas seguintes não quis falar com ninguém, ouvir ninguém ou sequer sair da cama. Eu não tinha fome, não tinha forças para abrir os olhos inchados e quando o fazia, logo depois caía em meu choro compulsivo que só terminava quando o sono sentia piedade e me envolvia em sonhos confusos.

Alguns meses depois, com a insistência de amigos - em comum - voltei a sair, mas só depois de me certificar de todas as formas possíveis que ele não apareceria. Eu ficava mais calada, no meu canto, mas só o fato de sair de casa era o bastante para que todos acreditassem que eu estava superando. Na primeira vez que ele apareceu de surpresa onde eu jurava que não era possível, só faltei me atirar pela sacada. Eu não suportava estar no mesmo ambiente que aquela pessoa, muito menos suportei o seu toque ao me abraçar.

E teve o dia em que precisei ir buscar coisas minhas naquele apartamento no terceiro andar do prédio com os degraus irregulares. Que doeu. Também o dia em que o vi beijar outros lábios que não os meus. Aí sim doeu. Tiveram muitos outros dias dolorosos em que eu tive que fingir que tudo estava perfeitamente bem enquanto um furacão me devastava por dentro.

Depois vieram os meses de raiva. Em que eu não suportava ouvir ou ler aquele nome em qualquer lugar que procurava imediatamente algo para rasgar, chutar ou bater. Eu gritava dirigindo de janelas fechadas quando passava em algum lugar que lembrasse nós dois e foi assim que quase bati no carro dele um dia enquanto ele saía distraidamente pelo grande portão cinza em meio às árvores.

Muitos meses se passaram e não vi sua sombra. O que foi de grande ajuda para a minha enorme "memória sentimental". Me surpreendi ao vê-lo e não sentir dor, nem raiva, nem nada. Até me cumprimentou, me abraçou e perguntou como estava a vida. E ele era apenas uma pessoa comum que pela qual eu não sentia nada. Uma pessoa que ensaiou algum cafuné do qual eu me esquivei e fez algumas piadas que não consegui rir. Eu estava indiferente.

E então, quase um ano depois do dia da indiferença, veio o dia de nos encontrarmos novamente. Era uma noite agradável de janeiro, eu me sentia bem como todo início de ano. Feliz, renovada, leve e em paz com todas as coisas. Percebi que durante toda a noite eu me esquivava, incômoda, de olhares incertos que me perguntavam o que eu estava pensando. Corri para o outro cômodo esperando encontrar minha "bolha" e ficar ali por um tempo. Mas ele, com tudo planejado, queria fazer o mal. Fui pega no meio da cozinha num carinho nos cabelos tão delicioso que só consegui fechar os olhos. Lábios duvidosos foram com calma em direção ao meu pescoço e ao perceber o arrepio dos pelos do meu braço e um leve impulso de fugir, mergulharam com gosto em meio ao perfume das ondas negras. 

Ele não tinha medo de se afogar. Eu assinava minha sentença de morte.

Com urgência, me virei para ele e transbordando saudade, beijei como nunca havia beijado. Lembrei como um filme de cada um dos beijos e momentos que foram o nosso abrigo em noites frias. O toque ardente na minha pele que me derretia por dentro e me deixava sem forças para continuar de pé. Fogo e Gelo. A combinação mais errada e maravilhosa que alguém já imaginou.

Aquelas mãos macias de dedos longos relembravam o fatal caminho da minha nuca, por entre os meus cabelos - que antes não chegavam aos ombros e agora desciam pelas costas - desviando perigosamente em um caminho sinuoso para terminar em minha cintura apertando com força, com saudade.

E eu me perdi. Novamente.

Dessa vez não sei se me encontro...



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Friends with benefits


Estou fugindo de problemas. De sentimentos. De contato físico além do necessário. Quase como estar exposta, em carne viva. Qualquer toque fere. E qualquer  um que tente transpôr a barreira será jogado longe o bastante para não querer voltar. 
Dizem que isso é normal depois de um término de relacionamento. Tenho medo de me envolver e me machucar de novo. Afastei outra pessoa em potencial hoje e assim vai ser até que eu me sinta curada de algumas cicatrizes.

Mas existe você, que já está do lado de dentro da minha barreira me ajudando a construí-la. Estamos tão próximos que já te sinto como parte de mim. Foi com você que passei noites em claro chorando e desabafando. Você estava por perto o tempo inteiro me ajudando a minimizar os danos do meu coração despedaçado. Tentando me fazer esquecer que minha cabeça estava um caos e que minha vida estava toda errada.
Você sabe como se aproximar sem me machucar. Você me faz esquecer do mundo e ficar com meu sorriso besta estampado de lado a lado no rosto. Lê meus sinais e sabe exatamente do que eu preciso. Você me abraça, me escuta, me dá carinho, me faz massagem, cuida de mim... Também me puxa com beijos que me fazem perder o fôlego, me ama, me usa, me deixa te usar...

Combinamos que por ambos estarmos saindo de relacionamentos longos e complicados, era melhor ficarmos nessa "amizade colorida" por tempo indeterminado. Apenas sexo uma troca de favores entre amigos. Foi uma boa forma de superar tudo, mas às vezes tenho medo de ter me entregado demais, de ter deixado você ultrapassar a barreira. De qualquer forma, não me arrependo. Era pegar a sua mão estendida ou me afundar sozinha na depressão. (Se bem que acho que se eu escolhesse ficar só, você me carregaria de qualquer jeito...). Eu sou assim: sempre me jogando de cabeça. Não sei viver de outra forma.

Estou me sentindo bem como não me sentia há anos... Mas é estranho querer você o tempo inteiro, querer seu carinho, seu abraço, seus beijos. Querer saber se você está bem, o que está fazendo e ficar me controlando pra não ficar perguntando e ser chata demais. É estranho sentir um incômodo quando você fala de outras garotas. Sentir uma agitação dentro de mim quando você me liga e eu vejo a sua foto. Sentir o mundo desabar nas poucas vezes que você não me diz boa noite antes de ir dormir ou quando fica muito tempo sem falar no whatsapp...


Você é estranho, somos completamente diferentes, mas estou apaixonada, preciso de você, quero você e não sei como te dizer isso.


Parece muito mais simples nos filmes... 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Let it go away

Sabe, comecei 2013 como nunca começo os outros anos. Pela primeira vez não quis pensar no ano que terminou, não quis contabilizar meus erros e acertos, não quis fazer planos nem pensar o que vou fazer diferente. Quis apenas me livrar, me sentir vazia de tantos sentimentos ruins.

Viajei com um amigo e duas amigas dele pra uma casa de praia num lugar do RN que é o paraíso. No dia 31 descemos à praia pra ver o pôr do sol. Eu estava ali apenas com meu corpo, mas minha alma e meu coração não estavam. Senti a brisa do mar quase como um abraço e isso foi o bastante pra me perder na imensidão de pensamentos dentro de mim.
O lugar trazia tanta paz que fiquei ali contemplando a paisagem e tentando não pensar, apenas expulsar de mim tudo o que me deixava cansada e triste. Como papéis, fui amassando e jogando fora todas as lembranças que não valia a pena guardar. Passou. Sobrevivi. Vou esquecer. Eram tantos pensamentos que se realmente transformados em papéis, eu estaria enterrada em baixo deles ali. 

Mais tarde, depois da contagem regressiva na praia, o ano foi embora levando tudo consigo. Cada explosão no céu era uma esperança de que 2013 podia ser melhor. Foram momentos mágicos, que só fizeram sentido pra mim.

Depois disso, dancei, bebi, fumei e aproveitei cada dia ali como se não houvesse amanhã. Fiz amizade rápido com as duas meninas e então parecia que nós quatro éramos amigos inseparáveis há anos. Lá, conheci mais gente bacana e curtimos muito. Brincávamos dizendo que estávamos vivendo uma nova temporada de Skins porque era bem daquele jeito. 
Uma coisa bacana foi que eu consegui entender o que realmente são energias positivas porque eu nunca tinha sentido o que era isso. Cada centímetro do meu corpo estava carregado com essa energia invisível que me deixava na maior parte do tempo leve e tranquila. Mesmo dormindo pouco e longe do conforto do meu quarto, eu acordava bem e disposta como nunca acordei aqui.

Voltei para casa dia 4 e ao pisar em casa já quis voltar correndo pra o paraíso. As coisas estavam ruins do mesmo jeito e sentindo a onda querendo me afogar, eu apenas fechei meus olhos e fiz o caminho até o meu quarto. Lá também estava carregado com a depressão, tristeza e solidão que eu deixei e eu quase sucumbi novamente. Abri as janelas, deixei a luz do sol entrar, deitei no chão frio e fiquei lá, como uma louca, esperando todo aquele 'ar' ruim sair pra eu poder respirar melhor. Fechei os olhos e caí em um sono pesado. 

Ainda estou curtindo a energia boa desses dias fora de casa. A cada minuto eu me sinto rodeada por sentimentos ruins, mas não vou deixá-los entrar. E no final é disso que eu preciso. De amigos, de paz, de dias fora da rotina, de não pensar em nada...

Meu 2013 vai ser diferente. Não sei bem como, nem o que pretendo fazer, mas tenho que fazer com que ele seja diferente. 

Deixei tudo pra trás. 
Agora só vou guardar em mim o que me faz bem. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sem título pra descrever esse post


Nunca me senti tão "assim" na minha vida. Sempre reclamei de tudo, do fato de eu usar óculos até do meu complexo com meu corpo, mas agora as coisas tomaram proporções enormes.
Não sei em que ponto meu quarto deixou de ser meu porto seguro pra se tornar reflexo do caos que há em mim. Não sinto mais a paz que eu sentia aqui dentro. Agora me sinto sufocada, triste, desanimada e parece que no meu quarto é ainda pior. Na verdade, na minha casa é ainda pior. Não suporto mais morar aqui, não suporto minha avó louca e a minha irmã barulhenta, não suporto olhar pra todos os cantos e não ver o meu lindinho correndo pelo quintal, balançando o rabinho o tempo inteiro e me olhando com cara de pidão pra subir na cama quando eu ficava sozinha em casa e deixava ele entrar.

Eu não tenho sono ou quando tenho é durante o dia, nunca mais consegui parar e ler um livro porque não consigo me concentrar, não quero mais sair com meu namorado nem quero vê-lo, ando esquecendo as coisas mais banais e até meu pai tem reclamado disso, fico a maior parte do tempo calada e com olhos vagos pensando no turbilhão de coisas dentro de mim. Parece que falar me cansa, andar, pentear o cabelo e até sentar direito numa cadeira... Tudo me esgota e às vezes sinto dificuldade pra respirar depois de andar alguns poucos metros, me sinto a ponto de desmaiar e não sei como isso não aconteceu ainda. 

Me sinto pesada, fraca e mesmo quando eu consigo dormir por bastante tempo, acordo indisposta e cansada. Meu corpo inteiro dói e eu me arrasto pra tomar banho, colocar uma roupa e ir pra faculdade todos os dias apenas pra não ficar em casa aturando as loucuras da minha avó e os gritos da minha irmã

Não é fome. Faz tempo que eu não consigo fazer uma dieta de verdade ou ficar sem comer. Às vezes saio comendo tudo o que vejo na frente e nem ânimo pra ir vomitar eu tenho mais. Deixo todas aquelas porcarias revirando dentro de mim pra ver se me sinto um pouco melhor ou mais disposta, mas não adianta. 

Não gosto quando as pessoas percebem e perguntam se eu estou bem. Me sinto frágil, prestes a explodir e passar horas falando o que eu estou sentindo. Esta cada vez mais difícil segurar as lágrimas, fingir um sorriso e murmurar um "sim, tô bem" qualquer. Céus, minha vontade é dormir pra sempre e eu nunca fui tão sincera ao escrever isso. Não me lembro há quantos meses ou anos eu não acordo leve, feliz e bem disposta e sinto muita falta disso.

Meu pai, que tem insônia há muito tempo, percebeu que eu não tenho dormido bem também e me disse pra procurar um médico. Mas que médico? Um clínico geral que vai me dizer pra ouvir música e relaxar antes de ir pra cama? Ou um psiquiatra que vai me entupir de Diazepan a ponto que só vou conseguir dormir quando tomá-lo? Meu pai sabe disso, ele mesmo não gostou de tomar remédios pra dormir porque ele dizia se sentir 'fora do ar' e só conseguia dormir quando tomava e por isso ele prefere ficar perambulando pela casa de madrugada do que ficar dependente de um remédio.

E não é só isso. Não é só a falta de sono que me perturba. Está tudo conectado: a falta do meu melhor amigo de quatro patas, as noites mal dormidas, o desânimo, a fraqueza, a irritabilidade, a falta de concentração no que estou fazendo, o asco pelo meu reflexo no espelho... Eu vou explodir a qualquer momento e não sei o que fazer.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sobre sorrisos e cantores de ônibus



Hoje saí de casa toda mau-humorada porque meu pai não quis me emprestar o carro pra ir ao shopping. Enquanto eu andava até o ponto de ônibus eu ficava cada vez mais mal-humorada e com raiva porque o meu pai nunca empresta o carro quando eu preciso.
Entrei no ônibus e dei um boa tarde daqueles mais baixinhos e sem sal que se pode dar. O motorista, que estava olhando algo na marcha, sorriu pra mim e me desejou boa tarde também. Dei um boa tarde um pouco mais alegre ao cobrador, que também me retribuiu com um sorriso.


O ônibus não estava tão cheio, mas já não tinha lugares para sentar e isso me deixou um tanto mais descontente em ter que ir de ônibus. Logo que me posicionei perto da porta do meio, um rapaz alto saiu da parte de trás e foi ali perto de onde eu estava. Ele pediu um pouquinho de atenção, puxou um violão e começou a cantar. De início eu achei ruim ter barulho, mas depois comecei a prestar atenção na música. Era estilo sertaneja, mas era algo bom de se ouvir e ele tinha uma voz suave e afinada. Eu observei pessoas que tinham virado pra janela ou colocado fones de ouvido, voltando sua atenção para ouvi-lo cantar. Na minha cabeça, se passava muitas coisas e eu entrei num daqueles momentos em que você para pra se questionar sobre a vida. Ando muito sentimental ultimamente, mas não reclamo, tem sido bom para refletir sobre coisas que antes eu nem pensava... 


Fiquei me perguntando: Quando foi que as pessoas começaram a ser tão apressadas e mal educadas? Quando deixamos de apreciar o por do sol, a lua no céu e outras coisas simples porque estamos com pressa? Quando começamos a rotular todas as pessoas que pedem algo no ônibus e nos afundar na cadeira ou colocar fones para demonstrar que não estamos interessados? Quem foi que estabeleceu que dar bom dia à secretária é sinal de boa educação e ao faxineiro tanto faz? 


O motorista e o cobrador retribuíram meus cumprimentos de forma tão sincera que parece que mais ninguém faz isso. O rapaz que tocava violão ficou tão contente por eu ter elogiado a voz dele e comprado um cd, mesmo entrando no ônibus depois que ele já tinha dado cds pra todas aquelas caras emburradas ali. Todos estavam tão fechados em suas bolhas que depois que ele disse o propósito dele ali, a atmosfera ficou mais leve. Alguns comentaram sobre a voz dele, outros que ele poderia fazer sucesso de verdade se não ficasse dentro dos ônibus... Eu voltei aos meus pensamentos.


Acho que ninguém imagina o que um boa tarde faz no dia daquele funcionário que passa horas do seu dia sentado e tensionado por conta do trânsito, ou o que um parabéns faz com aquele artista que está na rua e ninguém da atenção. Meu pai sempre me ensinou a cumprimentar as pessoas independente da sua função. Tenho isso comigo e raramente passo calada por alguém quando entro num lugar.


O remédio do mundo é o sorriso. Sorria mais, dê mais boa tardes pra qualquer pessoa, pare um minuto pra olhar pro céu e rir das formas das nuvens... O mundo precisa de mais boa tardes, mais artistas de ônibus, mais compaixão. Guarde sua cara emburrada no bolso porque o mundo não precisa dela.