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sábado, 5 de dezembro de 2015

Lembranças alcoólicas

Parecia uma madrugada como outra qualquer. Exagerei no café para conseguir terminar uns projetos e não consegui dormir mesmo depois de terminá-los.

Na minha mania de organização peguei, por acaso, na blusa preta que usei na noite do último dia do mês de outubro... Aquela blusa... Lembranças alcoólicas pairaram no ar e me vi com a cabeça num ângulo inclinado, com o olhar perdido em algum lugar desfocado do quarto. Eu relembrava o toque dos seus dedos e o delicioso roçar da sua barba na minha pele.

Observando a blusa era intrigante constatar que mesmo depois de lavada ela continuava com o seu cheiro. Ou será que minha memória olfativa queria me pregar peças e me remeteria a você sempre que eu sequer olhasse pra ela?
Haviam alguns pelos do seu gato fofo e gordo... A única testemunha daquela noite que nenhum de nós esperávamos e que eu, de maneiras singulares, nunca vou esquecer.

Peguei alguns pelos do bichano como lembrança, coloquei-os alinhadamente numa fita adesiva transparente e colei no primeiro local de fundo escuro que encontrei: meu cartão de visitas roxo que estava sobre a escrivaninha. 
Fiquei um tempo olhando pro cartão e de repente precisei de uma caneta para escrever as palavras aleatórias que me vieram à mente: “Quente e forte como um bom café. Macio como um felino. Eterno como uma boa lembrança. ”

E ali estava a prova de um dia bom, eternizada com algumas palavras e alguns pelos brancos enfileirados... Na minha estranheza, gostei de guardar essas pequenas provas materiais para me lembrar como agir em situações futuras.

Quem sabe daqui a alguns bons anos você receba um envelope com este cartão...
Hoje, quero guarda-lo comigo. Em segredo. 
Assim como guardo muitas coisas sobre você.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O passado esteve aqui. E me beijou.

O passado está de volta. Ele bisbilhotava entre as frestas, aguardando pacientemente o momento certo para o golpe de misericórdia que deu fim a tudo sólido que eu pensei ter construído.

Depois de tantas lágrimas derramadas e mais de ano sem sequer pensar nele, um beijo desperta tudo e me atira no meio da lama de sentimentos da qual tanto lutei para sair.

A doçura daqueles lábios me diziam que era o início de um precipício, mas eu, tão alta, mal pensei que fosse cair.

Um beijo. O beijo.

Sempre me vangloriei por ser daquelas que depois de magoada, nunca perdoa, nunca volta atrás. Põe uma pedra e esquece para sempre. Levanta a poeira e segue a vida. Mas aí aconteceu.

Nunca tinha dito abertamente os meus sentimentos como um dia disse a ele. Tomei coragem com vodka no jantar e disse tudo o que estava preso na garganta depois de tantos beijos, corações disparados e encontros flamejantes. Entre palavras enroladas e cobertas de vergonha, eu imaginava um final feliz em que o mocinho beijava a mocinha sobre a copa de uma grande árvore e juravam amor eterno. Eu estava no lugar perfeito. Mas em vez do desfecho perfeito, tive que o ouvir a mais ridícula das desculpas de quem não quer nada com a vida: "...não estou pronto para fazer alguém feliz".

Me senti quebrada em tantos pedaços quanto eram possíveis. Desmoronei na espreguiçadeira à beira da piscina, com algumas pequenas flores caindo da árvore e se enroscando no meu cabelo. Um funeral. Sob o sereno e o frio da madrugada desejei com todo o meu coração - ou o que restava dele - que o amanhã nunca chegasse.

Mas chegou. E doeu.

Nas semanas seguintes não quis falar com ninguém, ouvir ninguém ou sequer sair da cama. Eu não tinha fome, não tinha forças para abrir os olhos inchados e quando o fazia, logo depois caía em meu choro compulsivo que só terminava quando o sono sentia piedade e me envolvia em sonhos confusos.

Alguns meses depois, com a insistência de amigos - em comum - voltei a sair, mas só depois de me certificar de todas as formas possíveis que ele não apareceria. Eu ficava mais calada, no meu canto, mas só o fato de sair de casa era o bastante para que todos acreditassem que eu estava superando. Na primeira vez que ele apareceu de surpresa onde eu jurava que não era possível, só faltei me atirar pela sacada. Eu não suportava estar no mesmo ambiente que aquela pessoa, muito menos suportei o seu toque ao me abraçar.

E teve o dia em que precisei ir buscar coisas minhas naquele apartamento no terceiro andar do prédio com os degraus irregulares. Que doeu. Também o dia em que o vi beijar outros lábios que não os meus. Aí sim doeu. Tiveram muitos outros dias dolorosos em que eu tive que fingir que tudo estava perfeitamente bem enquanto um furacão me devastava por dentro.

Depois vieram os meses de raiva. Em que eu não suportava ouvir ou ler aquele nome em qualquer lugar que procurava imediatamente algo para rasgar, chutar ou bater. Eu gritava dirigindo de janelas fechadas quando passava em algum lugar que lembrasse nós dois e foi assim que quase bati no carro dele um dia enquanto ele saía distraidamente pelo grande portão cinza em meio às árvores.

Muitos meses se passaram e não vi sua sombra. O que foi de grande ajuda para a minha enorme "memória sentimental". Me surpreendi ao vê-lo e não sentir dor, nem raiva, nem nada. Até me cumprimentou, me abraçou e perguntou como estava a vida. E ele era apenas uma pessoa comum que pela qual eu não sentia nada. Uma pessoa que ensaiou algum cafuné do qual eu me esquivei e fez algumas piadas que não consegui rir. Eu estava indiferente.

E então, quase um ano depois do dia da indiferença, veio o dia de nos encontrarmos novamente. Era uma noite agradável de janeiro, eu me sentia bem como todo início de ano. Feliz, renovada, leve e em paz com todas as coisas. Percebi que durante toda a noite eu me esquivava, incômoda, de olhares incertos que me perguntavam o que eu estava pensando. Corri para o outro cômodo esperando encontrar minha "bolha" e ficar ali por um tempo. Mas ele, com tudo planejado, queria fazer o mal. Fui pega no meio da cozinha num carinho nos cabelos tão delicioso que só consegui fechar os olhos. Lábios duvidosos foram com calma em direção ao meu pescoço e ao perceber o arrepio dos pelos do meu braço e um leve impulso de fugir, mergulharam com gosto em meio ao perfume das ondas negras. 

Ele não tinha medo de se afogar. Eu assinava minha sentença de morte.

Com urgência, me virei para ele e transbordando saudade, beijei como nunca havia beijado. Lembrei como um filme de cada um dos beijos e momentos que foram o nosso abrigo em noites frias. O toque ardente na minha pele que me derretia por dentro e me deixava sem forças para continuar de pé. Fogo e Gelo. A combinação mais errada e maravilhosa que alguém já imaginou.

Aquelas mãos macias de dedos longos relembravam o fatal caminho da minha nuca, por entre os meus cabelos - que antes não chegavam aos ombros e agora desciam pelas costas - desviando perigosamente em um caminho sinuoso para terminar em minha cintura apertando com força, com saudade.

E eu me perdi. Novamente.

Dessa vez não sei se me encontro...



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sem título pra descrever esse post


Nunca me senti tão "assim" na minha vida. Sempre reclamei de tudo, do fato de eu usar óculos até do meu complexo com meu corpo, mas agora as coisas tomaram proporções enormes.
Não sei em que ponto meu quarto deixou de ser meu porto seguro pra se tornar reflexo do caos que há em mim. Não sinto mais a paz que eu sentia aqui dentro. Agora me sinto sufocada, triste, desanimada e parece que no meu quarto é ainda pior. Na verdade, na minha casa é ainda pior. Não suporto mais morar aqui, não suporto minha avó louca e a minha irmã barulhenta, não suporto olhar pra todos os cantos e não ver o meu lindinho correndo pelo quintal, balançando o rabinho o tempo inteiro e me olhando com cara de pidão pra subir na cama quando eu ficava sozinha em casa e deixava ele entrar.

Eu não tenho sono ou quando tenho é durante o dia, nunca mais consegui parar e ler um livro porque não consigo me concentrar, não quero mais sair com meu namorado nem quero vê-lo, ando esquecendo as coisas mais banais e até meu pai tem reclamado disso, fico a maior parte do tempo calada e com olhos vagos pensando no turbilhão de coisas dentro de mim. Parece que falar me cansa, andar, pentear o cabelo e até sentar direito numa cadeira... Tudo me esgota e às vezes sinto dificuldade pra respirar depois de andar alguns poucos metros, me sinto a ponto de desmaiar e não sei como isso não aconteceu ainda. 

Me sinto pesada, fraca e mesmo quando eu consigo dormir por bastante tempo, acordo indisposta e cansada. Meu corpo inteiro dói e eu me arrasto pra tomar banho, colocar uma roupa e ir pra faculdade todos os dias apenas pra não ficar em casa aturando as loucuras da minha avó e os gritos da minha irmã

Não é fome. Faz tempo que eu não consigo fazer uma dieta de verdade ou ficar sem comer. Às vezes saio comendo tudo o que vejo na frente e nem ânimo pra ir vomitar eu tenho mais. Deixo todas aquelas porcarias revirando dentro de mim pra ver se me sinto um pouco melhor ou mais disposta, mas não adianta. 

Não gosto quando as pessoas percebem e perguntam se eu estou bem. Me sinto frágil, prestes a explodir e passar horas falando o que eu estou sentindo. Esta cada vez mais difícil segurar as lágrimas, fingir um sorriso e murmurar um "sim, tô bem" qualquer. Céus, minha vontade é dormir pra sempre e eu nunca fui tão sincera ao escrever isso. Não me lembro há quantos meses ou anos eu não acordo leve, feliz e bem disposta e sinto muita falta disso.

Meu pai, que tem insônia há muito tempo, percebeu que eu não tenho dormido bem também e me disse pra procurar um médico. Mas que médico? Um clínico geral que vai me dizer pra ouvir música e relaxar antes de ir pra cama? Ou um psiquiatra que vai me entupir de Diazepan a ponto que só vou conseguir dormir quando tomá-lo? Meu pai sabe disso, ele mesmo não gostou de tomar remédios pra dormir porque ele dizia se sentir 'fora do ar' e só conseguia dormir quando tomava e por isso ele prefere ficar perambulando pela casa de madrugada do que ficar dependente de um remédio.

E não é só isso. Não é só a falta de sono que me perturba. Está tudo conectado: a falta do meu melhor amigo de quatro patas, as noites mal dormidas, o desânimo, a fraqueza, a irritabilidade, a falta de concentração no que estou fazendo, o asco pelo meu reflexo no espelho... Eu vou explodir a qualquer momento e não sei o que fazer.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

desespero


Maio Maio Maio...

Não precisava dizer, mas estarei ausente daqui até o fim desse maldito mês.

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EDIT~ em 23/05

apesar de tudo, eu estou bem. mais até do que é de se esperar, ou do que eu merecia.
apenas não quero e não tenho o que comentar aqui.

me sinto melhor aqui:
http://inconsientemente.blogspot.com/